Passando o conhecimento de uma geração para outra com Nhá Tuia
Maria Teresa Pereira de Sena (Nhá Tuia) / Filha - Segunda, Recta Porto Real
"Um velho que morre é uma biblioteca que arde". Nhá Tuia é de origem Cabo-Verdiana, mas foi em S. Tomé que veio aprender os segredos da medicina tradicional; trata crianças, da mesma forma que há muitos anos atrás viu ser tratado um filho seu por Sam Titina na Roça Agostinho Neto. Está a ensinar à sua filha Segunda, estes tratamentos à base de plantas que usa para tratar crianças, e esta tem muito orgulho em aprender com a Mãe. Só lamenta o preconceito que existe nas ilhas e que se tem espalhado nos últimos anos, e em que os curandeiros mais-velhos são muitas vezes acusados de serem "feiticeiros", sendo muitas vezes maltratados pela família, vizinhos e população, eles que durante toda a sua vida ajudaram a tratar e a salvar muitas vidas... É essencial voltar a recuperar a consideração que os mais velhos sempre mereceram nas sociedades africanas: respeito crescente com a idade, consideração como se fossem bibliotecas vivas, cheios como estão de experiência e sabedoria. Devem ser ouvidos pelos mais novos, pois isso estimula-os para continuarem vivos, activos. Não esperam que a morte chegue na berma da estrada, sentados ao sol. Vivem, até ao último alento, com a dignidade de se sentirem cada dia mais respeitados, e integrados no seu ambiente.